16 de Novembro de 2009

Copenhaga

Bem pode dizer-se que a reunião é praticamente amanhã. E não é uma reunião qualquer: não será de mais arriscar que dela pode depender o futuro do mundo, o que não é coisa pouca; que na capital dinamarquesa pode ser decidido se a humanidade vai conseguir sobreviver mais uns milhares de anos, eventualmente até que o Sol, cansado de brilhar, se resolva a arrefecer, ou se os mais activos locatários da Terra vão antecipar-se e, pelas próprias mãos, eliminar as suas condições de sobrevivência. Por isso já se vai falando um pouco de Copenhaga nos diversos meios de comunicação social e, portanto, na televisão. Foi o que fez Jorge Moreira da Silva nos estúdios da SIC, e o que lhe ouvi não foi nada tranquilizador: disse ele que um pouco por todo o lado se está a «preparar o falhanço da conferência». Disse-o serenamente, pelo que não pareceu que estava a anunciar uma situação mais grave que alarmante. Mas estava. Já se sabia que na anterior conferência sobre as alterações climáticas e suas consequências, em Quioto, só se conseguira chegar a acordos muito abaixo do desejável e talvez do necessário. Sabia-se também que mesmo os objectivos de tais acordos foram incumpridos. Agora, o que estará em jogo é uma opção de vida ou de morte não para os negociadores de Copenhaga e para cada um de nós, seus contemporâneos, mas para as senhoras e os senhores que se seguem, isto é, os nossos bisnetos ou tetranetos. Se não for, de qualquer modo, tarde de mais. Lembro o título de um romance que foi famoso: A 25ª Hora, de Virgil Gheorghiu; que, segundo o autor, «não era a última hora, mas a hora depois da última».

5 Comentários:

Ferreira-Pinto disse...

Cada vez me convenço mais que já estamos tramados e ainda não sabemos!

Rui Herbon disse...

Se calhar sabemos individualmente, mas o colectivo não está disposto a fazer nada, como sempre.

Fernando Teixeira disse...

Os meus amigos têm razão nas duas observações. Estou convencido quando todo mundo estiver de acordo nesta matéria, então, não haverá razoes, de existir. Já pensei; um dia que tudo se entenda vai ser o fim do mundo.
Ninguém controla ninguém, vai ser uma balburdia.

Manuela Araújo disse...

Haja ainda um pouco de esperança... espero que haja alguns dirigentes a bater com os punhos na mesa: nem que seja o Presidente das Maldivas, país em risco de desaparecer em breve...
Sei que sou uma optimista incorrigível... mas eles parecem cegos e surdos...

Fada do bosque disse...

Eu penso que tens toda a razão Rui, sem tirar nem pôr! Talvez eu tenha alma de revolucionária, mas quando o afirmo, assobia tudo para o lado. A qualidade de vida adormeceu a inteligência e daqui para a frente, salvo raras excepções, não teremos nem uma coisa nem outra! Essas excepções serão uma nova casta de priveligiados e o resto, tudo pobre. Pelo menos não me apanham desprevenida, sei o que irá acontecer, que muitos sabem também sei e que poucos querem ver, também é um facto. Acho que todos deviam ler o livro de Martin Page, "como me tornei estúpido". É um pequeno livro, que diz tudo sobre a Era da estupidez.
Eu pelo menos e sempre que posso, faço barulho! Enfim.
Pobres dos nossos filhos... destruido que foi o futuro deles e ninguém se mexe... tem de ser a França a 1ª... como sempre e o tempo acaba-se entretanto. Eles querem é ficar cá e por outro, lado umas guerritas até lhes davam jeito, para eliminar muita gente. Chegou ao ponto de esperarem fervorosamente que tal aconteça. Esperança?! onde?
Como dizia Nietzsche, a esperança é o pior inimigo da humanidade, ele lá sabia porquê... e foi um grande visionário! e lá dizia ele, o eterno retorno.
E outro que conheces disse: quem passa dos 40 e é optimista, é porque não sabe muito e quem não é pessimista depois dos 50, é porque não aprendeu nada. Eu penso é que temos de ser realistas. por muito que nos custe. Estragamos o Planeta agora há que pagar com altos "juros".
Ai o comprimido vermelho... seja do Prozac, seja do matrix, seja da estupidez...

http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=24577&catogory=Opini%E3o