12 de Novembro de 2009
No atoleiro
Era uma reportagem da CBS incluída no seu 60 Minutes, o que significa que se tratava de uma fonte insuspeita de não desejar a solução do atoleiro Afeganistão com honra e algum proveito para os Estados Unidos. Sendo, naturalmente, que o regresso a casa dos jovens norte-americanos enviados para aquela guerra já será um proveito precioso. O terrível é que, segundo a reportagem, esse feliz desenlace está longe do horizonte provável e que a vitória, ainda que parcial, que seria pelo menos a adesão das populações ao governo apoiado pelos Estados Unidos, nem sequer está a caminho. Sobre tudo isto, que não é pouco, plana como uma nuvem de sinistras aves negras a eventualidade de uma vitória dos talibãs, esses antigos aliados escolhidos em má hora por Washington na convicção de que o fim então em vista, a defesa da sua esfera de influência naquela zona do globo, justificaria aquele meio. Foi, pois, uma reportagem verdadeiramente depressiva. Mas necessária. Porque, como se sabe, é sempre necessário ver claro.









5 Comentários:
"Roma não paga a traidores !..."
embora tenha utilizado os seus préstimos.
É uma história antiga.
Tenho pena de não ter visto; o Afeganistão é um verdadeiro labirinto do qual urge sair mas sem que, pelo menos, se perca a face!
Entregar pura e simplesmente o terreno aos "talibã", será um incentivo suplementar para novas aventuras daquelas no vizinho Paquistão e daí desestabilizar a Índia, por exemplo.
Aos Estados Unidos, deu sempre muito jeito passar duma Guerra Fria, para uma Guerra Morna, e com argumentos, mais ou menos esfarrapados, arranjar forma de ter sempre tropas estacionadas em países que, geo-estrategicamente falando, são boas bases para ter sempre misseis apontados à Russia.
Mas como em tudo na vida, não há bela sem senão, e os Talibâs, que também não são parvos de todo, apresentam agora as facturas do passado. Pena que tenhamos de ser todos a pagar uma factura que devia ser endereçada apenas à Casa Branca.
Como alguém dizia esta guerra é uma verdadeira tolice. Quem sobressai é os senhores do controla do petróleo. O que seria da GM e afins se não tivessem o precioso liquido. Que seria ou que será, num futuro.
Acabei de ler um livrinho sobre o Afeganistão de hoje que recomendo: "Caderno Afegão", diário de viagem escrito por uma jornalista portuguesa, cujo nome não me ocorre - a idade vai tendo efeitos destes. É fácil encontrar o livro porque é muito recente. Ajuda-nos a imaginar a situação real. Um outro livro, "O Segundo Mundo" de Parag Khanna, também nos ajuda a entender melhor os conflitos naquelas regiões.
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